Primeiro nasceu ele. Num ambiente muito dificil, onde a escassez de alimentos e instrução era gritante. Ele aprendeu desde muito cedo que as feridas que lhe marcavam os pés, descalços na neve, um dia iriam ser saradas. Com Amor. Muito. Saiu de casa aos 13 anos, sem destino. Apenas sabia que não queria regressar aquela miséria. Não que seus irmãos e pais não quisessem, mas porque não podiam mais. Como irmão mais velho cabia-lhe a ele a dificil decisão. E assim andou, perdido no país de Portugal. Corria a década de 1940. Não dá para imaginar , até porque nunca contou, talvez me queira poupar às suas tristes recordações. Sei que se passaram 20 anos e este homem entretanto decidiu entrar num navio e descobrir o Brasil. Rio de Janeiro. E por lá ficou. Muito tempo, até o seu pai clamar pela sua presença. Mas isso é só mais à frente.
Ela nasceu num vale de mistério. Sei muito pouco de sua infância. Sei de um amor perdido, impedido pelos pais , como era habitual na década de 50. As filhas casavam apenas com quem fosse útil. Moeda de troca. Sei que fome nunca passou, mas foi escrava da terra. Da colheita e da semente. Uma prisão, sempre disse ela. Quis fujir dali , pois não a deixavam evoluir em pensamento e a atitude era corrigida com os calos da mão, a mesma que segurava a foice e enchada. Tenho para mim que foi desde cedo que ela se prometeu que assim que tivesse possibilidade nunca mais as suas mãos, os seus pés, as suas pernas e o seu rosto iria ficar sem vaidade. E assim foi.
Primeiro Porto, cidade que acolheu esta donzela. Apresentaram-lhe as pessoas certas e ela lá partiu. Para outro destino.
Estamos agora em Angola, década 60. Finais, creio. Apresentados por um sábio senhor ( meu avô!), estas duas criaturas perdem-se de amores. Ele diz que foi porque um outro amigo não parava de falar nela, e ele para mostrar que apesar de já estar próximo dos 40 anos, tinha mais charme num piscar do seu olho verde que o amigo em toda a sua basófia...! Ela resistiu a ambos, mas piscou o olho ao vadio verde. Quis Deus que o seu coração se entregasse finalmente!
Decidiram casar, em 16 de Janeiro de 1972.
Reza que o noivo se atrasou para a Cerimónia. E ela desesperou no Altar. Ele lá apareceu, bebedíssimo.( As fotos desta aventura são inacreditáveis!!!) Ela recebeu-o numa mistura de gargalhadas e levantar de sobrancelha, nunca duvidou e perdoou-lhe na hora o atraso.
Numa história normal, provavelmente, eu poderia dizer que não tinha a certeza se eles foram felizes para sempre. Mas esta eu posso.
Esta é a história é a que me permite acreditar que apesar das agruras da vida, apesar das desilusões, que o Amor vence tudo. Vence guerras civis, vence fome, vence necessidade, vence humilhação e devolve sorrisos, bem estar, cara alegre, pele maravilhosa, gargalhada, anedotas e Saúde!
O meu pai disse no Sábado " Quem me dera viver tudo outra vez" e a minha Mãe sorriu-lhe, a olhar para o chão. Sempre mais envergonhada. Ainda hoje recebe flores, no dia da Mulher, dos Namorados, do seu Aniversário ou simplesmente porque sim. A minha Mãe Ama incondicionalmente o meu Pai. Ama daquela maneira que só ela sabe. E o meu Pai Ama-a assim.
A minha Mãe e o meu Pai, completam hoje 40 anos de Casamento. E é de lágrimas nos olhos que termino esta singela homenagem, porque nada mais consigo escrever acerca deste Amor. Senão que eles são um. E não se anulam. Mesmo. E quem os conhece sabe do que escrevo.
Obrigada, por TUDO.
Ela nasceu num vale de mistério. Sei muito pouco de sua infância. Sei de um amor perdido, impedido pelos pais , como era habitual na década de 50. As filhas casavam apenas com quem fosse útil. Moeda de troca. Sei que fome nunca passou, mas foi escrava da terra. Da colheita e da semente. Uma prisão, sempre disse ela. Quis fujir dali , pois não a deixavam evoluir em pensamento e a atitude era corrigida com os calos da mão, a mesma que segurava a foice e enchada. Tenho para mim que foi desde cedo que ela se prometeu que assim que tivesse possibilidade nunca mais as suas mãos, os seus pés, as suas pernas e o seu rosto iria ficar sem vaidade. E assim foi.
Primeiro Porto, cidade que acolheu esta donzela. Apresentaram-lhe as pessoas certas e ela lá partiu. Para outro destino.
Estamos agora em Angola, década 60. Finais, creio. Apresentados por um sábio senhor ( meu avô!), estas duas criaturas perdem-se de amores. Ele diz que foi porque um outro amigo não parava de falar nela, e ele para mostrar que apesar de já estar próximo dos 40 anos, tinha mais charme num piscar do seu olho verde que o amigo em toda a sua basófia...! Ela resistiu a ambos, mas piscou o olho ao vadio verde. Quis Deus que o seu coração se entregasse finalmente!
Decidiram casar, em 16 de Janeiro de 1972.
Reza que o noivo se atrasou para a Cerimónia. E ela desesperou no Altar. Ele lá apareceu, bebedíssimo.( As fotos desta aventura são inacreditáveis!!!) Ela recebeu-o numa mistura de gargalhadas e levantar de sobrancelha, nunca duvidou e perdoou-lhe na hora o atraso.
Numa história normal, provavelmente, eu poderia dizer que não tinha a certeza se eles foram felizes para sempre. Mas esta eu posso.
Esta é a história é a que me permite acreditar que apesar das agruras da vida, apesar das desilusões, que o Amor vence tudo. Vence guerras civis, vence fome, vence necessidade, vence humilhação e devolve sorrisos, bem estar, cara alegre, pele maravilhosa, gargalhada, anedotas e Saúde!
O meu pai disse no Sábado " Quem me dera viver tudo outra vez" e a minha Mãe sorriu-lhe, a olhar para o chão. Sempre mais envergonhada. Ainda hoje recebe flores, no dia da Mulher, dos Namorados, do seu Aniversário ou simplesmente porque sim. A minha Mãe Ama incondicionalmente o meu Pai. Ama daquela maneira que só ela sabe. E o meu Pai Ama-a assim.
A minha Mãe e o meu Pai, completam hoje 40 anos de Casamento. E é de lágrimas nos olhos que termino esta singela homenagem, porque nada mais consigo escrever acerca deste Amor. Senão que eles são um. E não se anulam. Mesmo. E quem os conhece sabe do que escrevo.
Obrigada, por TUDO.
4 giralótus:
es linda. qt + t conheço + t quero conhecer. bjos e parabens aos pais :)
Batatinha! É mutuo!!! Também gosto muito muito muito de ti! :))
Gostei muito! Que rico exemplo :-) Beijos
Aninhas : Mil beijos, obrigada querida :)
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